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ED 014

Quatro mil impressões e cinquenta e oito cliques

Um guia de títulos de 2014 aparece 4.120 vezes na busca em trinta dias e recebe 58 cliques, um vírgula quatro por cento de quem vê.

Uma mesa de madeira clara com uma folha impressa antiga apoiada ao lado de um notebook virado de leve, mostrando uma lista de retângulos claros e vazios empilhados na tela, com um lápis atravessado sobre a folha e nenhuma pessoa por perto

4.120 impressões, 1,4% de cliques.

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Um guia de 2014 sobre como escrever títulos apareceu 4.120 vezes na busca do Google nos últimos trinta dias e recebeu 58 cliques.

O endereço é /como-escrever-titulos/, o texto mora na categoria "Mais Tráfego" e continua no ar do jeito que foi publicado.

O blog é o meu, e o número que abre a edição também, porque a régua daqui é o meu arquivo, com o incômodo antes do conselho.

Quatro mil e cento e vinte pessoas viram a linha do título na tela de resultados. Cinquenta e oito acharam que valia o clique, e as outras quatro mil e sessenta e duas leram a mesma linha e foram clicar em outra.

Um vírgula quatro por cento é o que sai da divisão. A posição média da página é 8,3, o pé da primeira tela de resultados, onde a briga é feia mas ainda existe.

A tentação é encerrar o assunto na posição. Oitavo lugar recebe pouco clique, e o caso morreria aí se o texto não fosse justamente um guia sobre escrever títulos que ninguém ignora.

A página que ensina a fazer título perde exatamente na tela em que o título é a única coisa que o leitor tem para decidir. Ali não existe imagem de capa, não existe primeiro parágrafo, não existe design: existe uma linha azul e duas linhas de descrição.

O título publicado tem 96 caracteres e diz "Como Escrever Títulos Impossíveis de Serem Ignorados e que são Clicados, O Guia Absolutamente Completo". O resultado de busca corta perto de sessenta.

O que aparece na tela do leitor, então, é uma frase interrompida no meio, terminando em reticências antes de entregar qualquer promessa concreta. A parte que prometia alguma coisa ficou do lado de fora do corte.

Sessenta pessoas por mês entram e leem um texto bom sobre títulos. As outras quatro mil passaram sem nunca saber que era bom.

A régua para consertar estava dentro do próprio guia desde 2014, numa lista de quatro palavras que ele ensina no meio do caminho e que o próprio título não cumpre.

Continue lendo ↓

 
 

I  A técnica de hoje

Os quatro U

A técnica de hoje são os quatro U: um título forte é útil, urgente, único e ultraespecífico, e um título fraco costuma falhar em três deles ao mesmo tempo. A régua vem de Michael Masterson e atravessa o guia inteiro de 2014.

Útil quer dizer que a linha promete um ganho que o leitor reconhece como dele. Urgente quer dizer que existe uma razão para ler agora, não no fim de semana. Único quer dizer que a promessa não podia estar escrita em outros vinte links da mesma tela. Ultraespecífico quer dizer número, prazo, objeto, nome.

O guia de 2014 usava os quatro U para o título dentro da página, na época em que a página era aberta por link de rede social e por assinante de lista. O título trabalhava depois do clique, para segurar quem já tinha chegado.

O erro comum é achar que basta um U bem forte. Um título ultraespecífico e inútil vira estatística sem promessa, e um título útil e genérico some no meio de resultados que prometem a mesma coisa com as mesmas palavras.

"Em média, cinco vezes mais pessoas leem o título do que o corpo do texto. Quando você escreveu o seu título, gastou oitenta centavos do seu dólar." David Ogilvy, Confissões de um Publicitário, 1963.

Ogilvy falava de anúncio em revista, com o título impresso acima de uma foto e de um bloco de texto. A régua atravessa inteira: o título continua sendo quase todo o investimento, só que hoje ele é lido numa lista de dez concorrentes empilhados na vertical.

O QUE MUDA EM 2026

Os quatro U continuam certos e ganharam uma restrição física que não existia em 2014: o título tem que caber em sessenta caracteres, porque é isso que o resultado de busca mostra antes de cortar.

A tela também mudou de mobília. O leitor que faz a busca em 2026 vê um resumo gerado por máquina no topo, um bloco de perguntas relacionadas no meio, e a sua linha aparece em oitavo lugar disputando um espaço menor do que disputava dez anos atrás.

Numa lista assim, o U que mais decide é o único. Quando as dez linhas da tela prometem "o guia completo", a promessa deixa de ser promessa e vira mobília, e quem escolhe outra coisa ganha o clique só por não parecer igual.

ONDE O MEU FALHA

O meu título de 2014 tem duas promessas empilhadas, "impossíveis de serem ignorados" e "clicados", e ainda acrescenta "o guia absolutamente completo" no fim. As três somam noventa e seis caracteres e nenhuma delas é ultraespecífica.

Cortado em sessenta, ele chega ao leitor como uma frase que promete títulos impossíveis de serem alguma coisa. O verbo fica pendurado e o benefício desaparece antes de existir.

O texto de dentro segue honesto. Os quatro U estão lá, explicados com exemplos, e o guia continua útil para quem chega: a linha que leva a pessoa até ele é que nunca foi submetida à própria régua.

 
 

II  No seu blog

Reescrever um título só

O passo de hoje leva vinte minutos e não escreve texto novo: você aplica os quatro U ao título de UMA página que já recebe impressão na busca e quase não recebe clique. Nada de post novo, nada de reescrita do corpo, nada de ferramenta paga.

A página certa não é a mais visitada. É a que aparece muito e é clicada pouco, porque ali o Google já decidiu te mostrar e quem está recusando é o leitor, na frente do seu título.

Uma página por vez é o ritmo certo. Quem reescreve doze títulos no mesmo sábado não descobre depois qual linha respondeu por qual parte do movimento.

OS QUATRO PASSOS

1. Abra o relatório de desempenho do Search Console, janela de vinte e oito dias, e ordene as páginas por impressões. Anote num arquivo seu a data de hoje, as impressões, os cliques, o CTR e a posição média das cinco primeiras da lista.

2. Escolha a página com muita impressão e CTR abaixo da metade da média do seu site. Ao lado dela, no mesmo arquivo, cole o título atual e conte os caracteres, porque acima de sessenta metade da sua frase não chega a ser lida.

3. Escreva três títulos novos de até sessenta caracteres, cada um passando pelos quatro U, e escolha aquele que uma pessoa de fora entenderia sem contexto nenhum. Rode a busca do termo principal, olhe as dez linhas da tela e descarte a sua se ela parecer irmã de qualquer uma delas.

4. Publique o título vencedor, peça a indexação da página no próprio Search Console e não toque em mais nada por vinte e oito dias. No fim da janela, compare com o número que você anotou no passo um: impressões contra impressões, CTR contra CTR.

O terceiro passo é onde quase todo mundo escorrega, porque a tentação é escrever a versão mais bonita. Título de busca não é para ser bonito, é para ser escolhido entre dez, e a versão escolhida costuma ser a mais chata e a mais concreta.

Mexer no título também dá um susto legítimo. A página está posicionada, o texto está indexado, e ninguém troca a linha de uma página que traz visita todo mês por gosto de arrumação.

O QUE FICA

Fica o corpo do texto intacto e a promessa dentro do corte. O leitor da tela de resultados precisa entender o ganho na primeira metade da linha, porque a segunda metade pode simplesmente não existir no aparelho dele.

E não confira o resultado na segunda-feira seguinte. O Google leva de uma a três semanas para recalcular o desempenho de um título trocado, e o CTR de sete dias oscila com o dia da semana e com a estação do termo que você escolheu.

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III  O número pra olhar

O CTR de 1,4%

O número pra olhar é o par impressões e CTR da página, sempre juntos. Um sozinho engana: impressão alta e clique baixo parece derrota quando às vezes é um termo novo entrando, e CTR alto com trinta impressões não descreve nada.

Os dois juntos separam dois problemas que pedem correções diferentes. Impressão baixa é problema de assunto e de posição, resolvido no conteúdo e nos links. Impressão alta com clique baixo é problema de título, resolvido numa linha de texto.

COMO SE FAZ A CONTA

Entre no relatório de desempenho do Search Console, marque as quatro caixas de cima, impressões, cliques, CTR e posição média, e abra a aba de páginas. Filtre pela URL que você quer e leia a janela de vinte e oito dias.

O CTR é o número de cliques dividido pelo de impressões. Ele já vem calculado, e a única coisa que você precisa fazer é compará-lo com a média do próprio site e com o que a posição média daquela página costuma render.

Na página do guia de títulos, no período que eu medi:

Impressões em trinta dias4.120
Cliques58
CTR1,4%
Posição média8,3
Visitas totais na página60

Uma página em oitava posição costuma receber por volta de dois e meio a três por cento dos cliques. Um vírgula quatro é aproximadamente metade do que a posição já entregaria, e essa distância é a medida do estrago que um título cortado ao meio faz.

A JANELA E O PISO

A janela é de vinte e oito dias comparada com os vinte e oito anteriores, e não de sete, porque busca varia com dia da semana e com feriado. Abaixo de mil impressões no período, CTR é indicação e não prova.

Olhe a posição média antes de comemorar qualquer subida: título novo que sobe o CTR e cai três posições não provou nada sobre a linha que você escreveu.

A RESSALVA QUE O MEU PRÓPRIO NÚMERO EXIGE

A minha medição é de 25/08/2026, janela de vinte e oito dias no relatório de páginas do Search Console, e o painel conta impressão mesmo quando o resultado aparece no rodapé da tela sem ninguém rolar até lá.

O que a medição prova é a forma, não o tamanho. Um guia sobre títulos foi mostrado a quatro mil pessoas com o próprio título cortado no meio, e recusado por quatro mil e sessenta e duas delas.

Essa parte não depende de volume. Acontece igual na página com 4.120 impressões e na página com 4.120.000, e a régua para consertar já estava escrita dentro do post desde 2014.

Quando o título novo entrar, as impressões e o CTR da mesma página voltam aqui, com a data da nova medição do lado, tenham eles subido ou não.

"Quantos caracteres tem o título da sua página mais mostrada na busca?"

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, de quem é a régua dos quatro U (útil, urgente, único, ultraespecífico) usada para avaliar títulos?

ADavid Ogilvy
BMichael Masterson
CGary Halbert
DSeth Godin

Resultado da última edição: 100% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

◆◆◆28293031

Dia 4 de 7 · a temporada de agosto fecha 31/08

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dias feitos
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pra fechar

Presença por clique, voto ou quiz. Sem folga na maratona: o seguro do mês cobre 1 dia.

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Até amanhã, com o próximo passo.

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