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Otimização histórica: o post de 2 anos que ainda recebe busca

A técnica que a HubSpot batizou em 2015, a introdução reescrita com data nova e os cliques do Search Console em 28 dias.

Pilha de folhas de papel amareladas sobre a mesa, a de cima com a primeira parte riscada e reescrita a lápis

O post antigo ganha uma abertura nova.

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O ventilador do escritório gira devagar e espalha o cheiro de café frio pela mesa. Na tela, o painel de busca mostra uma linha quase reta: um post publicado dois anos atrás, que todo mês recebe gente vinda do Google sem que ninguém mexa nele.

O autor olha a data no topo da página e sente vergonha. A introdução fala de um cenário que já mudou, cita uma ferramenta que trocou de preço e promete um passo a passo que hoje tem atalho. Mesmo assim, a busca continua mandando visitantes para lá.

A reação comum é ignorar o post velho e escrever outro do zero. Parece produtivo: página nova, data nova, tema fresco. Só que a página nova começa sem histórico, sem links apontando para ela e sem a confiança que o buscador levou meses para dar à antiga.

O post de dois anos já venceu a parte mais difícil. Ele aparece para quem pesquisa, e o Google já sabe do que ele trata. O que trava o resultado é o que o visitante encontra quando clica: uma abertura datada, que avisa logo de cara que o texto envelheceu.

Na lista de resultados, o efeito começa antes do clique. A data visível no trecho do Google e a primeira frase da página pesam na escolha de quem compara cinco opções numa tela de celular. Um post com cara de antigo perde o clique para um concorrente mais novo, mesmo tendo conteúdo melhor.

Existe uma técnica com nome para tratar esse arquivo como estoque, e uma empresa de software de marketing a transformou em rotina de equipe. Ela não pede post novo. Pede uma escolha certa, uma introdução reescrita e uma data honesta.

O resultado também se mede sem palpite. O painel gratuito do Google mostra os cliques de cada página dia a dia, e dá para comparar quatro semanas antes da reescrita com as quatro semanas seguintes.

A seguir: quem criou a técnica e por que ela funciona, como escolher e reescrever o post certo no seu blog e onde ler os cliques que mostram o resultado.

Continue lendo ↓

I  A técnica de hoje

O arquivo que trabalha sozinho

A técnica: a otimização histórica, nome que a HubSpot, empresa americana de software de marketing, deu à prática de atualizar posts antigos que já recebem busca. Em vez de só publicar texto novo, a equipe volta ao arquivo e melhora as páginas que o Google já mostra.

A estrategista Pamela Vaughan, que liderava a otimização do blog da HubSpot, descreveu a técnica em 2015 no artigo “The Blogging Tactic No One Is Talking About: Optimizing the Past” (a tática de blog de que ninguém fala: otimizar o passado).

O ponto de largada foi uma auditoria do próprio tráfego da empresa. Vaughan contou no artigo que 76% das visualizações mensais do blog da HubSpot vinham de posts antigos, publicados antes daquele mês. A equipe produzia texto novo sem parar, e quem sustentava a audiência era o arquivo.

O QUE O NÚMERO REVELOU

O mesmo levantamento mostrou que a maior parte dos contatos captados pelo blog, os leads (visitantes que deixam o email em troca de um material), também chegava por posts antigos. O arquivo trabalhava sozinho, sem que ninguém da equipe olhasse para ele.

A conclusão de Vaughan foi prática. Se a audiência mora no arquivo, melhorar o arquivo rende mais por hora de trabalho que escrever do zero. O post antigo já tem posição na busca, links recebidos e histórico de cliques: a reescrita aproveita todo esse capital acumulado.

POR QUE O POST VELHO RESPONDE

O Google mede se uma página resolve a pesquisa de quem chega. Uma página que já aparece na primeira ou na segunda tela de resultados está perto do limite. Pequenas melhoras na relevância e no clique podem empurrá-la algumas posições para cima.

A introdução pesa em dois pontos. É o trecho que o buscador muitas vezes usa para entender o assunto e montar a descrição, e é o primeiro texto que o visitante lê para decidir se fica. Uma abertura datada derruba as duas frentes ao mesmo tempo.

O post antigo que ainda recebe busca já ganhou a confiança do Google. A reescrita só precisa ganhar a confiança de quem clica.

A DATA DA ATUALIZAÇÃO

A HubSpot passou a republicar os posts otimizados com a data da atualização, e o resto do texto ficava no mesmo endereço. A data nova sinaliza ao leitor que o conteúdo foi revisto, e o endereço intacto preserva os links e a posição que a página já tinha.

Vaughan registrou um alerta no mesmo artigo: a técnica só funciona em blog que já tem arquivo com tráfego. Em blog novo, sem posts antigos recebendo busca, o certo é seguir publicando até existir estoque para otimizar.

 
 

II  No seu blog

A introdução que muda de data

O passo: escolher um post publicado há cerca de dois anos que ainda recebe busca, reescrever a introdução inteira e atualizar a data de publicação. O restante do texto recebe só correções pontuais, sem mexer na estrutura.

O post certo tem três sinais. Recebe cliques do Google todo mês, mesmo poucos. Aparece entre as posições 5 e 20 da busca para a pesquisa principal. E trata de um tema que as pessoas ainda procuram, sem ter virado notícia velha.

COMO ESCOLHER O POST

Abra o Google Search Console (o painel gratuito em que o Google mostra como o seu site aparece na busca) e vá em Desempenho. Filtre os últimos 3 meses e abra a aba Páginas, que lista os endereços por número de cliques.

Procure, entre os primeiros 30 endereços, os posts publicados há 18 meses ou mais. Clique em cada um e abra a aba Consultas (as pesquisas que levaram gente até ele) para conferir se a pesquisa principal continua viva.

Fuja de dois tipos. Post de notícia, ligado a um evento que já passou, não volta a crescer. E post que lidera a primeira posição sem concorrência pede cuidado: ele já entrega o melhor resultado, e qualquer troca arrisca perder terreno.

OS QUATRO PASSOS

1.  Anote a data de hoje e os cliques do post nos últimos 28 dias. Esse registro serve de base para a comparação da seção III.

2.  Reescreva a introdução do zero. Abra com a pesquisa que o leitor fez, entregue a resposta curta nas três primeiras frases e corte toda referência a ano, preço ou ferramenta que mudou.

3.  Revise o corpo sem desmontar o texto. Troque dados vencidos, conserte links quebrados e acrescente um parágrafo com o que mudou no tema desde a publicação.

4.  Atualize a data de publicação para o dia da reescrita, mantenha o endereço exatamente igual e publique.

UM EXEMPLO DE INTRODUÇÃO

Post sobre como fazer compostagem em apartamento, publicado dois anos atrás. A abertura original contava a história do autor com a primeira composteira e só no quarto parágrafo chegava à pergunta de quem pesquisa.

A abertura nova vai direto: “Dá para fazer compostagem em apartamento com uma caixa de 30 litros, serragem e cinco minutos por dia. A seguir, o passo a passo e os três erros que fazem a caixa cheirar mal.” A resposta aparece antes do segundo ponto final.

O CUIDADO COM A DATA

Data nova sem conteúdo novo engana o leitor, e o Google trata a manobra como sinal fraco. A troca de data só vale quando a introdução foi reescrita e o corpo recebeu revisão real.

No WordPress, a data fica no painel lateral do editor, no campo Publicar. Muitos temas mostram “atualizado em” quando a data de modificação muda; se o seu tema mostra as duas datas, deixe a de atualização visível no topo do post.

 

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III  O número pra olhar

Os cliques em 28 dias

O número pra olhar são os cliques do post no Google Search Console, nos 28 dias antes da reescrita e nos 28 dias depois. É o dado mais direto: mostra quantas pessoas escolheram a sua página na lista de resultados.

Os 28 dias têm motivo. Cobrem exatamente quatro semanas, com a mesma quantidade de segundas, sábados e domingos dos dois lados da comparação. Blog de assunto prático costuma receber menos busca no fim de semana, e janelas de tamanhos diferentes distorcem a conta.

ONDE ACHAR O NÚMERO

No Search Console, abra Desempenho e clique no filtro de data. Escolha a aba Comparar e marque os 28 dias seguintes à reescrita contra os 28 dias anteriores a ela.

Em seguida, adicione o filtro Página e cole o endereço exato do post. O gráfico mostra as duas linhas sobrepostas, e a tabela abaixo traz cliques, impressões (quantas vezes o post apareceu na busca) e posição média de cada período.

ESPERE A JANELA FECHAR

O Google precisa reler a página antes de qualquer efeito aparecer. Para acelerar, use a ferramenta Inspeção de URL do próprio Search Console e peça a indexação (a nova leitura da página pelo buscador) logo após a reescrita.

Não abra o painel todo dia. A primeira semana costuma oscilar enquanto a página é relida, e quem julga cedo demais desfaz uma troca que estava funcionando. A leitura vale quando os 28 dias completos tiverem passado.

COMO LER O RESULTADO

Cliques subiram com impressões estáveis: a introdução nova convenceu mais gente a clicar. É o efeito direto da data e da abertura, e o post pode receber a mesma revisão na próxima temporada.

Cliques e impressões subiram juntos: o Google passou a mostrar o post em mais pesquisas ou em posição melhor. Confira a posição média na tabela para confirmar a subida.

Cliques parados: confira o volume. Com menos de 100 cliques em cada janela, a diferença pode ser acaso. Mantenha a versão nova e repita a comparação com mais 28 dias.

Cliques caíram: compare as consultas antes e depois. Talvez a introdução nova tenha cortado a palavra que trazia a pesquisa principal. Devolva o termo às primeiras frases e meça mais uma janela.

“Qual post do seu blog tem mais de 2 anos e ainda recebe cliques todo mês?”

76% das visualizações mensais. Foi a fatia do blog da HubSpot que vinha de posts antigos quando Pamela Vaughan batizou a otimização histórica (HubSpot, 2015).

 
 
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