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ED 003

O post que aparece 41 mil vezes por mês

Um infográfico de 2015 aparece 41.300 vezes na busca em 28 dias e recebe 511 cliques. O texto não envelheceu, a etiqueta dele sim.

Uma página impressa de artigo antigo sobre uma mesa de madeira clara, com um lápis atravessado em cima, sem pessoas

Onze anos aparecendo na busca, quase sem clique.

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Um infográfico publicado em março de 2015 apareceu 41.300 vezes na busca do Google nos últimos vinte e oito dias. Foi clicado 511 vezes.

A página é /instagram-marketing/, um guia visual sobre Instagram escrito quando a rede ainda não tinha anúncio, nem loja, nem vídeo de um minuto. Ninguém encosta nela desde outubro de 2017, e ela continua recebendo 840 visitas por mês.

O blog é o meu, e o número que abre a edição é o meu também, porque a régua da casa é o meu próprio arquivo, com o zero dito antes de qualquer conselho.

Quarenta e uma mil aparições em quatro semanas é audiência de veículo, não de página esquecida. Cada aparição foi uma pessoa com o resultado na tela, lendo duas linhas e decidindo em menos de um segundo se entrava.

Quinhentas e onze entradas em 41.300 chances dá um vírgula dois por cento. A leitura fácil desse número culpa a idade do texto: 2015, Instagram, formato velho, assunto vencido.

A leitura fácil erra num detalhe simples de verificar. Quem não clicou nunca chegou ao texto. Não leu um parágrafo, não viu o infográfico, não sabe de que ano ele é.

O que essas quarenta mil pessoas leram foi outra coisa: uma linha azul de sessenta caracteres e duas linhas cinzas embaixo dela. A decisão inteira aconteceu ali, antes da página abrir.

O painel que mede as duas pontas é gratuito e quase todo blog já tem ele ligado. Ele mostra, consulta por consulta, quantas vezes a página apareceu, quantas vezes foi clicada e em que linha da página de resultados ela estava.

Alcançar mais gente, num blog que já tem acervo, quase nunca é aparecer mais vezes. A aparição já existe e está medida. O que falta é transformar aparição em entrada.

E a técnica que faz essa transformação não nasceu no Google. Ela nasceu numa regra de hashtag que o próprio infográfico ensinava em 2015, e que continua de pé em 2026, com outro nome e outro painel.

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I  A técnica de hoje

Etiqueta emprestada

A técnica de hoje é a etiqueta emprestada: o título visível da página é montado com as palavras que o leitor já digitou, e nada decorativo ocupa a frente da fila. Você não inventa a etiqueta. Você pega emprestada de quem já está procurando.

A regra não é minha e não é nova. Ela estava no próprio infográfico de 2015, na parte sobre hashtag, e tinha duas metades que quase todo mundo aplicava pela metade.

A primeira metade mandava usar a palavra que as pessoas realmente escrevem, e não a que você acha bonita. A segunda mandava escolher a versão de nicho, onde o seu post fica visível por algumas horas, em vez da gigante, onde ele afunda em dois minutos.

"Em média, cinco vezes mais gente lê o título do que lê o texto. Quando você termina de escrever o título, já gastou oitenta centavos de cada dólar." David Ogilvy, Confessions of an Advertising Man, 1963.

O título de um resultado de busca é exatamente a peça que Ogilvy descreve, levada ao extremo. Ele aparece dezenas de milhares de vezes por mês e é lido por gente que nunca leu mais nada seu.

AS DUAS METADES EM 2026

A primeira metade virou consulta. A palavra que o leitor digitou está no Search Console, com o número de aparições do lado, e você não precisa adivinhar nem pagar por ferramenta nenhuma.

A segunda metade virou posição. Consulta em que a sua página está na posição 40 é a hashtag gigante: existe público, e ele nunca rola até você. Consulta em que ela está entre a quarta e a décima quinta linha é a hashtag de nicho, onde a vitrine existe e o clique depende do que está escrito nela.

Entre as duas faixas, só a segunda muda de número na mesma semana em que você troca uma frase. Na primeira, nenhum título salva quem está fora do alcance da rolagem.

ONDE A MINHA ESTÁ HOJE

O título da minha página começa com a palavra Infográfico e dois pontos. São doze caracteres na frente da fila, antes de qualquer coisa que alguém tenha digitado.

Ninguém procura por infográfico quando quer resolver um problema. Formato é uma informação sobre mim: sobre o arquivo que eu fiz, sobre o trabalho que ele deu. Quem procura quer saber o que fazer com o negócio dele.

Na consulta como usar o instagram para divulgar meu negócio, a página fica na posição 6,3, com 2.840 aparições em vinte e oito dias e onze cliques. CTR de 0,4%.

Uma sexta linha costuma devolver entre seis e oito por cento. Nessa faixa, 2.840 aparições dariam algo perto de duzentos cliques por mês, com o mesmo texto, o mesmo endereço e a mesma posição.

A diferença entre onze e duzentos não é do algoritmo, e não é do assunto. Ela mora na linha escrita, e a linha escrita eu controlo.

 
 

II  No seu blog

O título que o leitor já digitou

O passo de hoje cabe numa tarde e mexe no título de uma página só, a que mais aparece na busca do seu blog. Você não escreve nada novo, não muda o endereço e não publica nada.

Uma página por vez não é excesso de cuidado, é o que torna a medição possível. Quem troca oito títulos na mesma semana vê o número mexer e não descobre qual dos oito mexeu ele.

OS QUATRO PASSOS

1. Abra o Search Console, vá em Desempenho, ajuste a janela pros últimos 28 dias e entre na aba Páginas. Ordene por impressões, e não por cliques. A primeira da lista é a que mais aparece, mesmo que ela quase não receba visita.

2. Filtre por essa página e volte pra aba Consultas. Ligue as colunas de CTR médio e posição média, que vêm desligadas. Procure a linha com muita impressão, posição entre 4 e 15 e CTR abaixo de dois por cento.

3. Reescreva o título dessa página com as palavras exatas da consulta na frente. Corte rótulo de formato (infográfico, artigo, guia completo), corte o nome do blog e corte o ano. Sessenta caracteres é o que o celular mostra antes de cortar.

4. Anote num arquivo seu a data de hoje, a impressão, o CTR e a posição dessa consulta. Sem o antes escrito à mão, daqui a um mês você vai ter uma lembrança, e lembrança não decide nada.

O terceiro passo é onde quase todo mundo erra, e o erro é de gosto. A tentação é escrever um título mais bonito, quando o que paga é um título mais parecido com o que foi digitado.

Bonito é o critério de quem escreve. Parecido é o critério de quem procura, e quem procura está com pressa, com o polegar em cima de dez linhas quase iguais.

Vale conferir uma coisa antes de salvar: em quase todo blog, o título que aparece na busca sai de um campo separado do título que aparece dentro da página. Trocar um não troca o outro, e o campo da busca é o que interessa hoje.

QUANDO A PÁGINA AINDA NÃO APARECE

Se o seu blog é novo e a lista de consultas vem quase vazia, o passo muda de alvo. Pegue o termo que você quer atender, digite ele no Google e leia os dez títulos que ocupam a primeira página.

Nenhum deles chegou ali por sorte. Escreva o seu com as mesmas palavras de problema que eles usam, e sem as palavras de formato que eles não usam.

E não mexa em cinco páginas hoje pra conferir o resultado amanhã. O Google leva de três a vinte dias pra reprocessar um título trocado, e a janela de medição só começa a contar quando o título novo aparecer no resultado.

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III  O número pra olhar

Impressão sem clique tem endereço

O número pra olhar é o par impressão e CTR de uma consulta, e não o CTR do site inteiro. A média do site é o resultado de milhares de linhas somadas, e ela esconde justamente a linha que decide o próximo passo.

Um blog com CTR médio de 1,8% pode ter uma consulta a nove por cento e outra a zero vírgula dois, e as duas viram a mesma média. A média está certa e não serve pra nada.

ONDE O NÚMERO MORA

Ele mora no Search Console, em Desempenho, na tela de Resultados da pesquisa. As quatro caixas de cima (cliques, impressões, CTR médio e posição média) vêm com duas desligadas, e as duas desligadas são justamente as que decidem o passo de hoje.

Ligue as quatro, aplique o filtro de Página e desça pra aba Consultas. A lista que aparece é o inventário de tudo que a sua página já atende, com a linha em que ela senta em cada uma.

A janela é de 28 dias, comparada com os 28 anteriores. Sete dias, num blog de tráfego médio, entregam linha com trinta impressões, e trinta impressões não decidem nada.

A POSIÇÃO PRECISA FICAR PARADA

A leitura só vale se a posição média da consulta ficar praticamente igual entre as duas janelas. Se o CTR subiu e a posição subiu junto, o mérito é da posição, e o título continua sem prova.

Meia posição pra cima ou pra baixo é variação normal de semana. Duas posições ou mais já é outra história, e a comparação de CTR daquela linha perde o valor.

A RESSALVA QUE O MEU PRÓPRIO NÚMERO EXIGE

A minha medição é de 15/08/2026, janela de 28 dias. A página inteira soma 41.300 impressões, 511 cliques, CTR de 1,2% e posição média 21,7. A consulta que senta na posição 6,3 responde por 2.840 impressões e onze desses cliques.

A média da página não prova nada sozinha. Posição 21,7 é segunda página de resultado, e segunda página tem CTR baixo por natureza, com título bom ou com título ruim. Usar aquele 1,2% como acusação seria fazer a conta parecer mais esperta do que ela é.

O que sustenta a afirmação é a linha isolada. Uma sexta posição com 2.840 aparições e 0,4% de clique é uma distância grande demais entre a vitrine que a página tem e a entrada que ela recebe.

E é uma linha barata de consertar. O texto continua o mesmo, o endereço continua o mesmo, o infográfico de 2015 continua lá com a data dele. Muda uma frase de sessenta caracteres.

Quando o título novo entrar, o número da mesma consulta volta aqui, com a data da nova medição do lado, tenha o CTR subido ou não.

"Qual página do seu blog mais aparece na busca, e o que está escrito na linha que as pessoas leem antes de decidir entrar?"

 
 
Quiz da edição

Segundo o texto, desde quando a página /instagram-marketing/ não recebe nenhuma edição, mesmo continuando a receber 840 visitas por mês?

AMarço de 2015
BOutubro de 2017
C2020
DNos últimos 28 dias

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Até amanhã, com o próximo passo.

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