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O link 404 do blog vizinho trocado pelo seu post

Um email de três linhas ao dono e os domínios novos contados no Search Console em 60 dias.

Corrente de metal partida sobre uma mesa de madeira, com um elo novo e brilhante pronto pra fechar a falha

Um elo novo pra fechar a corrente.

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A ventoinha do notebook acelera quando a aba nova abre e devolve uma tela branca com letras cinzas: 404, página não encontrada. O cursor ainda pisca sobre o link azul de onde ela veio, no meio de um parágrafo sobre poda de roseira.

O post que levou até ali está num blog de jardinagem bem cuidado, com seis anos de arquivo e comentários respondidos. A dona escreveu, em 2020, que a melhor explicação sobre o corte em bisel estava num site de um viveiro do interior. O viveiro fechou, o domínio expirou e a referência ficou apontando pro vazio.

Esse link quebrado é comum. O Pew Research Center publicou em 2024 o estudo When Online Content Disappears (Quando o Conteúdo Online Desaparece): 38% das páginas que existiam em 2013 já não abriam em 2023.

Pra quem lê, o 404 é um tropeço. Pra quem escreveu o post, é um defeito que ela não sabe que tem. Pra você, que tem um blog no mesmo nicho, é uma vaga aberta.

Se você já escreveu sobre corte em bisel, ou pode escrever uma página melhor que a do viveiro, existe um pedido fácil de fazer à dona do blog: troque o link morto pelo meu. Ela conserta um defeito do próprio site, o leitor dela volta a ter onde clicar e o seu blog ganha um link de um domínio do seu tema.

A técnica de hoje é do pilar alcançar e tem nome no SEO (otimização pra mecanismos de busca): link building por link quebrado, a conquista de links de outros sites oferecendo um substituto pra uma referência que morreu. Sem guest post (artigo escrito pra publicar no blog alheio), sem texto novo no blog dele, sem pagar nada.

O número pra acompanhar sai do Google Search Console, a ferramenta gratuita do Google que mostra como o site aparece na busca: os domínios novos que passam a apontar pro seu blog em 60 dias.

Abaixo, de onde vem a técnica, como achar o link e escrever o email, e onde contar o resultado.

Continue lendo ↓

 

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I  A técnica de hoje

O pedido mais fácil da internet

A técnica: achar num blog do seu nicho um link que leva a uma página morta, oferecer ao dono um post seu que cumpre o mesmo papel e pedir a troca num email curto. Você entrega o conserto pronto, ele só cola um endereço.

DE ONDE VEM

A ideia parte de uma regra antiga da web. Tim Berners-Lee, o físico britânico que criou a World Wide Web, escreveu em 1998 um texto curto pro W3C (o consórcio que define os padrões da web) com um título que virou lema.

“Cool URIs don't change” (endereços bons não mudam). Tim Berners-Lee, W3C, 1998.

O texto pedia que nenhum dono de site apagasse ou mudasse endereços. A internet ignorou o pedido. Sites fecham, blogs migram de plataforma, empresas trocam de domínio, e cada página que some deixa para trás os links que apontavam pra ela.

Nos blogs de SEO americanos, o nome broken link building (construção de links por link quebrado) se espalhou nos anos 2010. O raciocínio é simples: pedir um link do nada é pedir um favor; apontar um defeito e trazer a peça de reposição é prestar um serviço.

POR QUE FUNCIONA

O dono do blog vizinho não tem tempo de auditar posts de 2019. Ele nem sabe que o link morreu. Quando alguém aparece com o problema achado e a solução pronta, o trabalho dele cai pra trinta segundos: abrir o post, trocar o endereço, salvar.

E o link vem de dentro de um texto antigo, já indexado, sobre o seu tema. Pro Google, um link desses vale mais que dez links soltos em diretórios, porque nasce de um site que trata do mesmo assunto.

O QUE NÃO É

Não é guest post, porque você não escreve nada no blog dele. Não é troca de links, porque você não promete link de volta. Não é compra. Se o dono recusar ou não responder, nada muda pra nenhum dos dois.

 
 

II  No seu blog

A caça ao 404 e o email de três linhas

O passo: listar dez blogs do seu nicho, varrer os posts antigos atrás de links mortos, conferir se você tem a página substituta e mandar um email de três linhas pra cada dono. Leva uma tarde pra montar a primeira leva.

ACHAR OS VIZINHOS

Busque no Google o tema principal do seu blog e anote os dez primeiros blogs independentes que aparecerem. Corte portais grandes e lojas: o dono precisa ser alguém que lê email e mexe no próprio site.

Prefira blogs com arquivo de três anos ou mais. Quanto mais velho o post, maior a chance de ter referência morta.

Blogs vizinhos não são concorrentes diretos: um blog de hortas caseiras e um de roseiras dividem leitor e assunto, e nenhum dos dois perde visita quando aponta pro outro.

VARRER OS LINKS

A extensão gratuita Check My Links, do Chrome, pinta de vermelho todo link quebrado da página aberta. Abra os posts mais antigos de cada blog, rode a extensão e anote cada link vermelho numa planilha.

Pra saber o que a página morta dizia, cole o endereço dela no Wayback Machine (web.archive.org), o arquivo público de páginas antigas do Internet Archive. A cópia guardada mostra o assunto e o tamanho do texto que você vai substituir.

OS PASSOS NO SEU BLOG

1. Monte a planilha com quatro colunas: blog, post onde está o link, endereço morto e assunto da página morta.

2. Para cada linha, procure no seu blog um post que cubra o mesmo assunto com a mesma profundidade.

3. Se o post existe, anote o endereço dele; se existe mas está fraco, atualize antes de pedir.

4. Se não existe e o mesmo endereço morto aparece em três ou mais blogs, escreva o post: a mesma página vai servir pra vários pedidos.

5. Ache o email do dono na página de contato ou no rodapé do blog.

6. Mande o email de três linhas, um por blog, nunca em cópia coletiva.

7. Anote a data do envio na planilha e não mande lembrete antes de dez dias.

O EMAIL DE TRÊS LINHAS

Primeira linha: onde está o defeito. “No seu post sobre poda de roseira, o link para o viveiro sobre corte em bisel abre uma página 404.”

Segunda linha: a peça de reposição. “Escrevi um guia sobre o mesmo corte, com fotos: [endereço].”

Terceira linha: a porta aberta pro não. “Se preferir outra fonte, tudo bem; só quis avisar do link.”

Sem elogio genérico, sem anexo, sem apresentação de duas linhas sobre o seu blog. O dono decide pelo endereço que você mandou.

UM EXEMPLO

Um blog de jardinagem com 120 posts mandou 18 emails em uma semana, todos sobre links quebrados em blogs de plantas. Sete donos responderam, quatro trocaram o link. O post usado em três das quatro trocas foi um guia de poda que o blog já tinha publicado.

 

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III  O número pra olhar

Os domínios novos no Search Console

Pra saber se a técnica trabalhou, conte no Search Console os domínios que passaram a apontar pro seu blog nos 60 dias depois do primeiro envio. É o número do teste: domínios de referência novos.

ONDE LER

No Search Console, abra Links, no menu da esquerda. A tabela Principais sites com links lista os domínios que apontam pro seu blog. Exporte essa tabela no dia do primeiro envio e guarde o arquivo.

Sessenta dias depois, exporte de novo e compare as duas listas na planilha. Domínio que aparece só na segunda é domínio novo.

POR QUE 60 DIAS

O dono pode levar uma semana pra trocar o link, e o Google leva mais algumas semanas pra recolher o post alterado e mostrar o link novo no relatório. Contar com 15 ou 20 dias mede o atraso do Google, e não a resposta dos donos.

A CONTA

Divida os domínios novos vindos dos emails pelo número de emails enviados. No blog de jardinagem do exemplo, foram 4 domínios para 18 emails: 22%. Os números são do exemplo, pra mostrar a conta; a sua planilha vai dar os dela.

O QUE CONFERIR

Cruze a lista de domínios novos com a planilha de envios. Domínio novo que não está na planilha veio de outro caminho e não entra na conta da técnica.

Depois, abra cada post alterado e confira se o link aponta pro endereço certo e se não ganhou o atributo nofollow (marcação que pede ao Google pra ignorar o link). Link com nofollow ainda traz visita, mas pesa menos na busca.

Se o dono trocou o link por outro site, anote também. Três trocas pra concorrentes no mesmo assunto dizem que a sua página substituta está mais fraca que a deles.

O SEGUNDO NÚMERO

No mesmo Search Console, em Desempenho, filtre pela página que ganhou os links e compare os cliques dos 60 dias antes e depois. Se os domínios chegaram e os cliques não subiram, a página precisa de mais links do mesmo tipo antes de mudar de posição.

A PLANILHA

Mantenha as colunas de envio e acrescente três: respondeu, trocou e data da troca. A próxima leva sai dos mesmos dez blogs, nos posts que você ainda não varreu.

“Qual blog do seu nicho tem um post antigo apontando pra uma página que já fechou?”

4 domínios novos em 60 dias. Foi o resultado dos 18 emails do blog de jardinagem do exemplo, lido em Links, Principais sites com links, no Google Search Console.

 
 
Quiz da edição

Segundo o estudo do Pew Research Center citado na edição, que porcentagem das páginas que existiam em 2013 já não abria mais em 2023?

A18%
B38%
C52%
D64%

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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