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A técnica: o índice Flesch, chamado em inglês de Flesch Reading Ease (facilidade de leitura de Flesch), que transforma o tamanho das frases e das palavras numa nota de 0 a 100. A versão em português soma uma correção à fórmula original.
Rudolf Flesch nasceu em Viena em 1911, formou-se em direito e fugiu da Áustria para os Estados Unidos em 1938. Em Nova York, fez doutorado na Universidade Columbia estudando por que alguns textos se leem sem esforço e outros não.
Em 1948, publicou a fórmula no artigo “A New Readability Yardstick” (uma nova medida de legibilidade), no Journal of Applied Psychology. Dois anos antes, no livro The Art of Plain Talk (a arte da fala simples), de 1946, já defendia a frase curta como regra de quem escreve para muita gente.
COMO A CONTA FUNCIONA
A fórmula parte de 206,835 pontos e desconta dois pesos. O primeiro é a média de palavras por frase, multiplicada por 1,015. O segundo é a média de sílabas por palavra, multiplicada por 84,6.
Os dois descontos explicam a lógica inteira. Frase comprida derruba a nota, e palavra comprida derruba mais ainda. “Utilização” pesa cinco sílabas; “uso” pesa duas e diz o mesmo.
A VERSÃO BRASILEIRA
O português tem palavras mais longas que o inglês, então a fórmula original castiga qualquer texto nosso. Em 1996, Teresa Martins, Claudete Ghiraldelo, Maria das Graças Volpe Nunes e Osvaldo Oliveira Jr., do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP em São Carlos, publicaram a adaptação: somar 42 pontos ao resultado.
O mesmo grupo traduziu a nota em quatro faixas. De 75 a 100, o texto é muito fácil. De 50 a 75, fácil. De 25 a 50, difícil. Abaixo de 25, muito difícil, próprio de texto acadêmico.
Um post de blog para o público geral mira a faixa acima de 50. Abaixo dela, o visitante da busca precisa de esforço de leitor de artigo científico.
POR QUE 25 PALAVRAS
Das duas variáveis da conta, a média de palavras por frase é a que você controla na revisão sem trocar o vocabulário do nicho. Quem escreve sobre finanças não foge de “rentabilidade”. Mas pode cortar a frase em que ela aparece.
O teto de 25 palavras funciona como alarme. Frase acima dele quase sempre carrega duas ideias coladas por vírgula, “que” ou “e”. Separar as duas ideias derruba a média do post sem tirar uma informação sequer.
Flesch resumiu o princípio no livro de 1946: “A frase curta é a regra; a longa, a exceção que precisa de motivo.” A conta só transforma o conselho em número.
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