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Meu post de 3.100 palavras sem um subtítulo sequer

Um texto do meu arquivo rodava em bloco único, sem parada nenhuma, e só 19 de cada 100 leitores passavam da metade da página.

Bancada clara vista de cima com sete folhas impressas enfileiradas formando uma tira longa de texto corrido sem nenhuma quebra, uma tesoura aberta apoiada sobre a quarta folha, quatro tiras de papel recortadas e postas de través sobre a pilha como etiquetas, lápis mecânico parado na diagonal, luz de manhã entrando pela esquerda, sem nenhuma pessoa por perto

De 19% para 54% passando da metade.

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A impressora cuspiu sete folhas ainda mornas, uma atrás da outra, e as sete saíram com o mesmo desenho: parágrafo, parágrafo, parágrafo, da primeira linha ao pé da página. Era o meu post viverdeblog.com/como-ganhar-dinheiro-com-blog/, publicado em 2019, 3.100 palavras em bloco único, sem um subtítulo no caminho.

O painel de eventos do meu blog, nos 28 dias anteriores, mostrava 19 de cada 100 visitantes dessa página passando da metade da rolagem. Antes de um quarto da página, 61 de cada 100 já tinham fechado a aba. O tempo médio na página ficava em 1 minuto e 12 segundos, para um texto de doze minutos de leitura.

O texto não era ruim. Ele tinha nove assuntos distintos dentro dele, de escolha de produto a emissão de nota fiscal, e nenhuma porta por onde entrar em qualquer um dos nove. Quem chegava pela busca querendo saber de nota fiscal tinha que varrer 2.400 palavras com o olho para descobrir se o assunto estava ali.

O primeiro impulso foi cortar o post pela metade e mandar o resto para um segundo texto. Cortar resolvia o tamanho e não resolvia a rolagem: página curta sem parada também perde o leitor, só perde mais cedo.

O segundo impulso foi enfileirar subtítulos de etiqueta no meio do texto, do tipo "Introdução", "Primeiros passos" e "Considerações finais". Esses rótulos ocupam a linha e não dizem ao leitor o que ele ganha se continuar descendo.

O caminho que mudou o número levou uma tarde: a cada tela de rolagem do celular, o texto passa a ter um subtítulo de segundo nível (o H2, a etiqueta de hierarquia que o navegador usa para marcar divisão de assunto dentro da página), e cada um desses subtítulos entra em forma de pergunta que o leitor faria em voz alta naquele ponto exato.

A pergunta no subtítulo devolve ao leitor o controle da descida. Ele bate o olho, reconhece a dúvida que trouxe na cabeça, e desce direto para a parte que responde em vez de decidir pelo peso da mancha de texto se vale ficar.

Continue lendo ↓

I  A técnica de hoje

Um subtítulo por tela, em forma de pergunta

A técnica de hoje escreve um subtítulo de segundo nível a cada tela de rolagem, e cada subtítulo sai como a pergunta que o leitor faria naquele ponto do texto. No meu post de 2019 sobre ganhar dinheiro com blog, quatorze subtítulos entraram onde não havia nenhum.

Uma tela de rolagem no celular comporta de 250 a 350 palavras em corpo de 16 pixels. A conta grosseira: divida o total de palavras do seu post por 300, e o resultado é o número mínimo de subtítulos que o texto precisa. Um post de 3.100 palavras pede dez, e sobra espaço para mais.

POR QUE A PERGUNTA GANHA DO RÓTULO

O leitor chega com uma dúvida formada em palavras dele. "Preciso de CNPJ para receber de anunciante?" vive na cabeça dele nessa forma exata. Um subtítulo escrito "Questões fiscais" obriga o leitor a traduzir a dúvida antes de reconhecer a resposta, e traduzir dá trabalho no meio de uma rolagem.

Subtítulo em pergunta também segura quem já desceu. A pergunta abre uma lacuna no olho de quem varre a página, e a lacuna só fecha com os parágrafos abaixo dela. Rótulo fecha o assunto na própria linha e libera o leitor para sair.

"Nós não lemos as páginas. Nós as escaneamos." Steve Krug, Don't Make Me Think, 2000.

Krug testava pessoas usando sites e via todas elas fazendo o mesmo movimento: o olho salta de trecho em trecho procurando a palavra que bate com a tarefa que a pessoa tem em mãos. Texto em bloco único não oferece nenhum ponto de salto, e o olho sai da página por falta de onde pousar.

COMO ACHAR AS PERGUNTAS QUE JÁ EXISTEM

As perguntas não se inventam na mesa. Elas estão nos comentários do próprio post, nas respostas da sua caixa de entrada e no relatório de consultas do painel de busca do seu blog, escritas na língua de quem digitou.

Três fontes, em ordem de qualidade: consulta de busca que já traz tráfego para a página, pergunta repetida de leitor por email ou comentário, e pergunta que você mesmo teve quando aprendeu o assunto. A terceira fonte entra só quando as duas primeiras secaram.

AS TRÊS REGRAS DE ESCRITA DO SUBTÍTULO

Primeira: o subtítulo tem no máximo nove palavras, porque no celular a décima palavra desce para uma terceira linha e a pergunta perde o efeito de placa.

Segunda: ele usa as palavras do leitor, inclusive as erradas. Se o leitor digita "monetizar blog com Adsense", o subtítulo não vira "estratégias de monetização programática".

Terceira: o parágrafo logo abaixo responde a pergunta na primeira frase, sem rodeio de contexto. Subtítulo que pergunta e parágrafo que enrola quebram o acordo que a pergunta acabou de fazer com o leitor.

 
 

II  No seu blog

Quatro paradas no seu post mais longo

O passo de hoje pega o seu post mais longo sem subtítulo, marca onde cada tela de rolagem termina e escreve em cada marca a pergunta do leitor que o trecho seguinte responde. Um post por vez, com a leitura da rolagem antes e depois.

O candidato sai do seu painel de eventos: ordene as páginas por palavras ou por tempo médio baixo, e pegue a mais longa que tenha tráfego de busca chegando. Post longo sem visita nenhuma não paga a tarde de trabalho.

OS QUATRO PASSOS

1.  Cole o texto do post num documento em branco e insira uma linha horizontal a cada 300 palavras. Cada linha marca o fim de uma tela no celular. Um post de 3.100 palavras termina com dez marcas.

2.  Em cada marca, leia os dois parágrafos seguintes e escreva, na voz do leitor, a pergunta que esses parágrafos respondem. Se não existe pergunta, os parágrafos não deveriam estar ali, e a marca vira aviso de corte.

3.  Confira cada pergunta contra o relatório de consultas do painel de busca do seu blog. Quando a sua pergunta e a consulta do visitante falarem de forma diferente, troque as suas palavras pelas dele e guarde a sua versão para o texto do parágrafo.

4.  Publique e marque na agenda a leitura da profundidade de rolagem 28 dias depois. Anote no mesmo lugar o número de subtítulos que entraram, para comparar com o próximo post que você tratar.

O passo 2 é onde a tarde trava. A tentação é escrever pergunta de vendedor, do tipo "Você quer faturar mais com seu blog?". Pergunta de vendedor não tem resposta útil embaixo dela e o leitor reconhece o truque na primeira tela.

A DÚVIDA QUE SEMPRE APARECE

Quatorze subtítulos em pergunta parecem deixar o texto picado, como um questionário em vez de um artigo. A página que o leitor vê não muda de natureza: ele continua lendo parágrafos corridos, com placas no caminho para saber onde está e o que vem.

O QUE FAZER COM O SUMÁRIO NO TOPO

Depois dos subtítulos no ar, monte no começo da página um sumário com links internos para cada um deles. O sumário transforma as suas perguntas em menu e deixa o leitor pular direto para a dúvida que o trouxe, o que aparece no painel como visita que começa no meio da página.

Guarde numa planilha a data da reforma, a URL, o número de subtítulos inseridos e a profundidade de rolagem das quatro semanas anteriores. Sem esse registro, daqui a três meses você não sabe se o ganho veio dos subtítulos ou do post ter entrado numa lista de indicações.

 

Quem banca a edição de hoje

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III  O número pra olhar

Quem passa da metade da página

O número pra olhar é a porcentagem de visitantes da página que passam de 50% da rolagem, nos 28 dias depois da reforma contra os 28 dias anteriores. A metade da página é o ponto em que o leitor já decidiu ficar.

A porcentagem de quem chega em 25% mede a promessa do seu título e da sua abertura. A de 50% mede o trabalho dos subtítulos, porque é entre o primeiro quarto e a metade que o leitor desiste quando não encontra placa nenhuma no caminho.

COMO SE FAZ A CONTA

No painel de eventos do seu blog, filtre pela URL do post, escolha a janela de 28 dias e leia os marcos de rolagem de 25%, 50%, 75% e 100%. Anote os quatro e o tempo médio na página. Repita a leitura 28 dias depois da publicação dos subtítulos.

No meu post de 2019 sobre ganhar dinheiro com blog, medido no painel de eventos do meu blog:

Visitantes que passaram de 25% da rolagem, antes39%
Visitantes que passaram de 50% da rolagem, antes19%
Visitantes que passaram de 50% da rolagem, depois54%
Visitantes que chegaram a 100% da rolagem, antes e depois6% e 21%
Tempo médio na página, antes e depois1min12s e 4min03s

Os cliques no sumário do topo explicam parte do salto: 1.180 visitas no período e 308 cliques em um dos quatorze links internos, o que significa quase um terço dos leitores pulando direto para a própria dúvida.

A JANELA E O PISO

Vinte e oito dias contra vinte e oito dias evita comparar quatro semanas com cinco e dilui o efeito de um dia de pico. Espere a janela fechar inteira antes de ler, porque a primeira semana depois da republicação traz visita de leitor antigo e distorce a média para cima.

Abaixo de 300 visitantes na janela anterior, a leitura não se sustenta. Com 80 visitantes, dez pessoas que leram tudo sozinhas sobem a profundidade de rolagem em doze pontos e você credita à técnica um movimento que dez conhecidos fizeram.

A RESSALVA QUE O MEU PRÓPRIO NÚMERO EXIGE

A minha medição é de uma página só, com janelas de 08/08/2026 a 04/09/2026 e de 11/07/2026 a 07/08/2026, lidas no painel de eventos do meu blog, que dispara o marco de rolagem quando o pixel correspondente entra na tela, mesmo que o visitante tenha descido rápido sem ler o trecho.

Junto com os subtítulos eu republiquei a página com data nova, e data nova sozinha costuma mexer na posição de busca. Faça a reforma em um segundo post, sem trocar a data de publicação, e compare os dois resultados para separar o efeito dos subtítulos do efeito da republicação.

54% dos visitantes passando da metade da página. Foi a profundidade de rolagem do post depois dos quatorze subtítulos em pergunta, contra 19% antes, medida no painel de eventos do meu blog entre 08/08/2026 e 04/09/2026 (viverdeblog.com/como-ganhar-dinheiro-com-blog/, 2019).

"Qual post seu o leitor abandona hoje por falta de uma placa no caminho?"

 
 
Quiz da edição

No painel de eventos do post viverdeblog.com/como-ganhar-dinheiro-com-blog/, quantos de cada 100 visitantes passavam da metade da página antes da mudança?

A61 de cada 100
B19 de cada 100
C54 de cada 100
D28 de cada 100

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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Até amanhã, com o próximo passo.

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