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Escada de abstração: 1 exemplo com nome e número em cada bloco do post

A ferramenta de Roy Peter Clark aplicada ao seu post mais visitado, com a rejeição do GA4 lida antes e depois.

Escada de madeira encostada numa parede com folhas de rascunho presas em cada degrau

Do caso concreto à regra, degrau por degrau.

▼
 

O ventilador de teto dá um tique a cada volta, e a tela do celular esquenta na palma da mão enquanto o polegar desce por um post sobre como economizar no supermercado.

O primeiro bloco diz que planejar as compras é essencial. O segundo diz que pequenas mudanças de hábito pesam muito no orçamento. O terceiro recomenda disciplina e visão de longo prazo.

Nenhuma dessas frases está errada. Nenhuma ensina nada que o visitante não soubesse antes de digitar a busca. O polegar sobe, toca na seta de voltar, e a aba some.

Agora imagine o mesmo post com outro segundo bloco. A Juliana, de Curitiba, trocou o pacote de 1 quilo de arroz pelo de 5 quilos e passou a pagar R$ 4,90 o quilo, contra R$ 6,30 no pacote pequeno. Logo depois vem a regra: comprar no volume que a despensa aguenta baixa o preço da unidade.

O assunto continua igual. Mudou a altura da frase. A primeira versão ficou parada lá no alto, onde as palavras são gerais e o leitor não enxerga nada. A segunda desceu até o chão, pegou uma pessoa, um pacote e dois preços, e subiu de novo pra dizer o que aquele caso prova.

Esse sobe e desce tem nome: escada de abstração, o caminho entre a palavra mais concreta e a mais geral sobre um mesmo assunto. É uma das ferramentas que o professor americano Roy Peter Clark ensina a repórteres e redatores.

O visitante que chega pelo Google decide em poucos segundos se o texto serve pra ele. Um exemplo com nome e número dá a ele um lugar pra pisar. A regra geral, sozinha, não dá.

O GA4 registra essa decisão. Quando a visita termina antes de 10 segundos, sem clique e sem segunda página, o Google Analytics marca a sessão como rejeição.

A seguir: de onde vem a escada e como Clark a usa, como reescrever os blocos do seu post alternando exemplo e regra, e como ler a rejeição do post no GA4 antes e depois da troca.

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I  A técnica de hoje

A escada de Roy Peter Clark

A técnica: em cada bloco do post, pôr um exemplo concreto, com nome e número, e logo depois a regra geral que ele prova. Nenhum bloco fica só no alto da escada, nem só embaixo.

Roy Peter Clark é professor do Poynter Institute, escola de jornalismo de St. Petersburg, na Flórida. Ele reuniu as ferramentas que ensinava a repórteres no livro Writing Tools (Ferramentas da escrita), lançado em 2006.

A imagem da escada veio antes dele. O linguista Samuel Ichiye Hayakawa a desenhou no livro Language in Action (A linguagem em ação), de 1941, pra mostrar como um mesmo objeto pode ser nomeado em vários níveis de generalidade.

A VACA BESSIE

No degrau de baixo, Hayakawa pôs uma vaca real, chamada Bessie, que se pode ver e tocar. Acima dela vinham vaca, depois gado, depois bens da fazenda, patrimônio e, no topo, riqueza.

Cada degrau acima inclui mais casos e mostra menos detalhe. No topo, a palavra cobre milhões de objetos e não descreve nenhum. Embaixo, descreve um objeto só, mas o leitor enxerga.

A CITAÇÃO

Clark deu à ferramenta, em Writing Tools (2006), o título “Move up and down the ladder of abstraction” (Suba e desça a escada de abstração).

O verbo duplo pesa. Clark não manda o redator morar embaixo. Texto feito só de casos vira uma pilha de histórias sem lição; texto feito só de regras vira sermão. O valor está no movimento entre os dois.

ONDE O POST DE BLOG EMPACA

O post de blog costuma morar no meio da escada, com frases como organize sua rotina ou invista em conteúdo de qualidade. Altas demais pra o leitor ver alguma cena, baixas demais pra ensinar um princípio novo.

O exemplo concreto faz duas tarefas. Mostra que a regra funciona fora da cabeça do autor, e entrega ao visitante um caso parecido com o dele, onde ele se reconhece.

A ORDEM DO PAR

Clark não fixa a ordem entre caso e regra. Pra post de blog, esta edição sugere abrir o bloco pelo exemplo: o visitante vê o caso primeiro, a lição depois, e a regra chega como a conclusão que ele mesmo já estava tirando.

A regra, por sua vez, impede que o exemplo fique solto. Sem ela, o leitor guarda a história da Juliana e esquece o que fazer com o próprio carrinho de compras.

Regra sem exemplo é promessa, e exemplo sem regra é anedota: o bloco precisa dos dois degraus.

 
 

II  No seu blog

Exemplo e regra em cada bloco

O passo: pegar o post com mais visitas, marcar a altura de cada bloco e reescrever os que ficaram só no alto, encaixando um exemplo com nome e número. O trabalho cabe numa tarde.

ACHAR O POST

No GA4, abra Relatórios, Engajamento, Páginas e telas. Ponha o período nos últimos 28 dias, ordene por visualizações e pegue a primeira página que seja um post, deixando a home e a página de contato fora da escolha.

MARCAR A ALTURA

Abra o post e trate como bloco cada trecho sob um subtítulo. Na margem, escreva A quando o trecho só traz regra geral, C quando só traz caso concreto e AC quando tem os dois.

Um bloco conta como concreto quando reúne pelo menos 2 de 3 itens: um nome (pessoa, marca, cidade ou produto), um número com unidade e uma cena que dá pra ver.

REESCREVER OS BLOCOS

1. Comece pelos blocos marcados A, do topo pra baixo: são os que o visitante encontra primeiro.

2. Para cada um, procure um caso real: um cliente, um leitor que comentou, um teste que você fez, um dado com fonte nomeada. Escreva o caso em 2 ou 3 frases, com nome e número.

3. Ponha o caso na abertura do bloco e deixe a regra geral logo depois, numa frase só.

4. Nos blocos marcados C, faça o caminho inverso: acrescente no fim a frase da regra, dizendo o que o caso prova.

5. Republique sem trocar título, endereço, meta description (o resumo que aparece sob o título na busca) nem imagem de destaque, e anote a data e a hora.

UM PAR PRONTO

Antes: Escrever com frequência melhora o texto. A frase está certa e não mostra nada.

Depois: A Marina, dona de um blog de jardinagem, publicou 3 posts por semana durante 6 meses e baixou o tempo de cada rascunho de 4 horas pra 90 minutos. Escrita frequente encurta o rascunho. O caso vem primeiro, a regra fecha o bloco.

ONDE A TROCA ERRA

O primeiro erro é o exemplo inventado passado por real. Se o caso é ilustração, avise no texto (imagine uma loja com 2 funcionários); o leitor perdoa a hipótese e não perdoa o engano.

O segundo erro é o exemplo comprido. Quando o caso passa de um parágrafo, a regra some debaixo dele, e o bloco desce a escada sem voltar.

O terceiro é mexer em tudo junto. Se o título muda na mesma republicação, você não sabe qual das alterações moveu o número.

Cada subtítulo do post ganha um chão pra pisar e uma frase dizendo pra que serve aquele chão.

 

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III  O número pra olhar

A rejeição do post no GA4

O número pra olhar é a rejeição do post no GA4, nos 28 dias antes e nos 28 dias depois da reescrita. Ele mostra quantas visitas foram embora sem se engajar com a página.

No GA4, uma sessão é engajada quando dura 10 segundos ou mais, quando dispara um evento-chave (a ação que você marcou como conversão) ou quando passa por 2 páginas ou mais. A rejeição é o percentual de sessões que não bateram nenhuma dessas três marcas.

O número conversa direto com a escada. O visitante que acha um caso concreto nos primeiros blocos tem motivo pra passar dos 10 segundos; o que só encontra regra geral volta pra busca.

ONDE ACHAR O NÚMERO

O relatório Páginas e telas não traz o campo Taxa de rejeição de fábrica. Clique no lápis de Personalizar relatório, entre em Métricas, adicione Taxa de rejeição e salve o relatório.

Depois clique em Comparar períodos no seletor de datas. Ponha os 28 dias depois da republicação contra os 28 dias antes e filtre pelo endereço do post.

COMO LER O RESULTADO

Rejeição caiu 5 pontos percentuais ou mais: os exemplos seguraram o visitante. A versão nova fica, e o mesmo trabalho vai pro segundo post mais visitado.

Rejeição ficou parecida, com variação menor que 5 pontos: a troca não atrapalhou. Olhe também o tempo médio de engajamento pra ver se quem ficou passou a ler mais.

Rejeição subiu: algum exemplo pode estar comprido ou fora do assunto da busca. Releia os 2 primeiros blocos e corte o caso que demora a chegar na regra.

POR QUE A REJEIÇÃO E NÃO O TEMPO

O tempo médio sobe com poucos leitores que ficam muito e esconde quem saiu cedo. A rejeição conta cada sessão curta, uma por uma.

A reescrita mexe justamente no primeiro contato: o exemplo no topo do bloco decide se o visitante pisa no degrau ou vai embora.

O QUE O NÚMERO NÃO MOSTRA

A rejeição sobe e desce com feriado, estação e posição do post no Google. Se o post mudou de posição durante o teste, compare também com a mesma janela do ano anterior.

Com menos de mil visualizações no período, o percentual oscila demais pra decidir. Espere o volume crescer antes de tirar conclusão.

“Qual bloco do seu post mais visitado ainda não tem nenhum nome nem número?”

10 segundos. É o tempo mínimo de visita pro GA4 contar a sessão como engajada e tirá-la da rejeição, segundo a central de ajuda do Google Analytics.

 
 
Quiz da edição

Qual foi o preço por quilo que a Juliana, de Curitiba, passou a pagar depois de trocar o pacote de arroz de 1 quilo pelo de 5 quilos?

AR$ 6,30
BR$ 4,90
CR$ 5,10
DR$ 7,20

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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