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As fotos que a busca não conseguia ler

Um tutorial meu trazia 34 fotos tiradas por mim e 31 delas tinham o campo de descrição vazio, com 4 cliques por mês vindos da busca de imagens.

Mesa de trabalho clara vista de cima com uma página impressa de tutorial deitada sobre a madeira, quatro fotografias pequenas coladas na folha e um retângulo de papel em branco ao lado de cada uma, lapiseira apoiada sobre a margem, caderno pequeno aberto com marcas de lápis, notebook virado de lado mostrando uma forma de gráfico sem números legíveis, luz de janela entrando pela esquerda, sem nenhuma pessoa por perto

De 4 para 212 cliques vindos da busca de imagens.

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O teclado estava morno debaixo dos pulsos e o ventilador do notebook zumbia baixo quando abri o relatório de desempenho do meu tutorial viverdeblog.com/como-instalar-o-wordpress/, publicado em 2019. Trinta e quatro fotografias tiradas por mim, tela por tela, e o painel de busca de imagens do Google marcava 4 cliques no mês inteiro.

Abri o editor do post e cliquei numa foto qualquer. O campo de texto alternativo, o atributo alt que descreve a imagem para quem não consegue vê-la, estava vazio. Cliquei na seguinte, vazio. Em 31 das 34 fotos não havia uma linha escrita.

O nome dos arquivos contava a mesma história: captura-de-tela-2019-03-14-as-15-42-08.png, repetido trinta e quatro vezes com o relógio mudando. Para o buscador, aquelas trinta e quatro peças de trabalho meu eram trinta e quatro retângulos mudos no meio de um texto.

A primeira tentativa de conserto foi trocar as fotos por versões maiores e mais nítidas. Refiz metade das capturas em resolução alta, a página ficou 900 kB mais pesada, e o relatório de imagens seguiu preso nos mesmos 4 cliques por mês.

A segunda tentativa foi preencher o campo com a palavra que eu queria posicionar, sempre a mesma: "instalar wordpress". Trinta e quatro descrições idênticas, coladas de uma vez. O relatório subiu para 9 cliques e parou, e eu tinha deixado a página com uma repetição que qualquer leitor de tela transformaria em ladainha.

O conserto que funcionou custou uma tarde e nenhuma ferramenta nova. Escrevi, foto por foto, o que a imagem mostrava de fato, em português comum, encaixando o termo que a pessoa digitaria para procurar aquela tela específica.

Foto de imagem é a única superfície do seu blog em que o buscador depende inteiramente do que você escreve. No texto, ele lê você. Na fotografia, ele lê o que você deixou de escrever, e campo vazio equivale a dizer que a imagem não vale busca nenhuma.

Continue lendo ↓

I  A técnica de hoje

A descrição que carrega o termo buscado

A técnica de hoje preenche o texto alternativo de cada imagem própria do seu post com uma frase que descreve o que aparece na foto e contém o termo pelo qual alguém procuraria aquela cena. Descrição primeiro, termo encaixado dentro dela, nunca o contrário.

Texto alternativo cumpre duas funções ao mesmo tempo, e as duas puxam para o mesmo lado. Ele é lido em voz alta pelo leitor de tela de quem navega sem enxergar, e é a única legenda que o buscador tem para classificar a imagem no índice de fotos.

A FÓRMULA DA FRASE

Sujeito visível, ação visível, contexto que localiza. "Painel do WordPress com o menu Plugins aberto e o botão Adicionar novo destacado no topo." A frase descreve, e quem digita "menu plugins wordpress" encontra a foto porque a descrição carrega o termo naturalmente.

Uma frase basta, de doze a vinte palavras. Descrição de três palavras não diferencia uma captura de tela das outras trinta e três do mesmo post, e parágrafo inteiro no campo vira ladainha no leitor de tela.

"O poder da Web está na sua universalidade. O acesso por todos, independentemente de deficiência, é um aspecto essencial." Tim Berners-Lee, comunicado de lançamento da Web Accessibility Initiative, W3C, 1997.

Berners-Lee escreveu a frase ao lançar a iniciativa de acessibilidade do consórcio que criou os padrões da Web, e ela resume o acordo: a descrição existe para a pessoa, e o buscador apenas aproveita a carona de uma página escrita para gente.

O QUE NUNCA ENTRA NO CAMPO

Palavra repetida, empilhada, separada por vírgula. "wordpress, instalar wordpress, tutorial wordpress" não descreve nada, soa pessimamente em voz alta e o buscador trata a repetição como tentativa de manipular o índice.

"Foto", "imagem" e "captura de tela" no começo da frase também saem. O leitor de tela já anuncia que ali existe uma imagem antes de ler a descrição, e abrir com a palavra repete o anúncio em cada uma das trinta e quatro.

Imagem puramente decorativa, o filete que separa seções ou a textura de fundo, fica com o campo vazio de propósito, escrito como alt igual a nada. Descrever enfeite obriga quem usa leitor de tela a ouvir "linha azul ondulada" seis vezes por página.

O NOME DO ARQUIVO VEM JUNTO

Renomeie antes de subir: menu-plugins-wordpress.png em lugar daquela sequência de relógio. O nome do arquivo entra na conta que o buscador faz sobre o assunto da imagem, e renomear custa o tempo de digitar.

 
 

II  No seu blog

Trinta e uma fotos numa tarde

O passo de hoje escolhe o seu post com mais imagens próprias, lista cada uma numa planilha e escreve a descrição de todas numa sessão só, começando pelas que ilustram o momento decisivo do tutorial. Um post por vez, com o número de cliques anotado antes.

O candidato sai do relatório de busca do seu blog: filtre por páginas com tutorial, passo a passo ou comparação visual, ordene pela quantidade de imagens e pegue a que tiver mais fotos feitas por você. Foto de banco de imagens não entra, porque a mesma foto está em outros mil sites e você nunca vence a fila por ela.

OS QUATRO PASSOS

1.  Abra o post no editor e liste as imagens numa planilha, uma linha por imagem, com três colunas: o que a foto mostra, o termo que alguém digitaria para procurar aquela cena, descrição pronta. Deixe a terceira coluna vazia no primeiro passe.

2.  Preencha a coluna do termo olhando para a foto, não para o título do post. Cada captura de tela mostra uma etapa diferente, e a pessoa que procura a tela de erro digita palavras diferentes de quem procura a tela de sucesso.

3.  Escreva a descrição juntando as duas primeiras colunas numa frase de doze a vinte palavras, em português corrente, e leia cada uma em voz alta antes de aprovar. Frase que soa estranha na boca soa pior no leitor de tela.

4.  Cole as descrições no editor, renomeie os arquivos que puder renomear sem quebrar o endereço da imagem e marque na agenda a leitura do relatório de imagens 30 dias depois.

O passo 2 é onde a tarde rende ou trava. Descrever a foto é fácil, adivinhar o termo é que exige olhar o relatório de busca e ver com que palavras as pessoas já chegam na página, porque a variação que elas usam raramente é a que você escreveria sozinho.

A DÚVIDA QUE SEMPRE APARECE

Vale mexer em post antigo com pouca visita? Vale, e antes dos novos. Página publicada há anos já acumulou confiança no índice do buscador, e a foto descrita hoje entra na fila de imagens carregando a idade da página, não a idade da descrição.

O QUE NÃO DESCREVER

Gráfico complexo pede tratamento próprio. A descrição curta diz o que o gráfico é, e a leitura dos valores vai no corpo do texto, visível para todo mundo, porque ninguém consegue entender sete barras numa frase de vinte palavras.

Guarde a planilha com a data do preenchimento, o endereço da página e a quantidade de cliques de imagem do mês anterior. Sem esse registro, daqui a seis meses você não distingue o efeito das descrições do efeito de a página ter subido por outro motivo.

 

Quem banca a edição de hoje

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III  O número pra olhar

Duzentos e doze cliques da busca de imagens

O número pra olhar: cliques vindos da busca de imagens do Google no seu blog, lidos no Search Console com o filtro de tipo de pesquisa marcado em Imagem, comparados com o mês fechado anterior. É o único painel que separa o clique da foto do clique do texto.

O caminho tem quatro toques: Search Console, relatório Desempenho, botão do tipo de pesquisa no alto da tela, opção Imagem. O gráfico se redesenha e mostra apenas quem chegou clicando numa fotografia sua no meio dos resultados visuais.

COMO SE FAZ A CONTA

Filtre também pelo endereço da página que você acabou de descrever, some os cliques do mês fechado e compare com o mesmo intervalo do mês anterior. Anote junto as impressões, porque impressão que cresce sem clique avisa que a foto aparece na busca e não convence ninguém a tocar nela.

No meu tutorial de 2019 sobre instalar o WordPress, medido no Search Console com o filtro de pesquisa por imagem:

Cliques de imagem no mês anterior às descrições4
Cliques de imagem no mês seguinte212
Impressões de imagem, antes e depois1.930 e 24.400
Imagens do post indexadas na busca visual, antes e depois3 e 32
Visitantes vindos da busca de imagens que assinaram a lista0 e 19

As três fotos que já apareciam no índice eram exatamente as três que tinham descrição, escritas por mim numa edição de emergência em 2021 porque um leitor avisou que a página não fazia sentido no leitor de tela dele.

A JANELA E O PISO

Mês fechado contra mês fechado, sempre. A busca de imagens leva de duas a seis semanas para reindexar as fotos de uma página antiga, e quem lê o painel no quinto dia conclui que a técnica falhou enquanto o buscador ainda nem passou.

Abaixo de 500 impressões de imagem no mês anterior, a leitura não se sustenta. Com 60 impressões, dois cliques curiosos multiplicam a porcentagem e você credita às descrições o comportamento de dois desconhecidos.

A RESSALVA QUE O MEU PRÓPRIO NÚMERO EXIGE

A minha medição é de uma página só, nos meses fechados de julho e agosto de 2026, lida no Search Console, que conta clique em imagem dentro do resultado visual e não me diz quanto tempo a pessoa ficou na página depois.

Junto com as descrições eu renomeei vinte e dois arquivos, e as duas mudanças subiram no mesmo envio, então o ganho está repartido entre elas de um jeito que a minha medição não resolve. Refaça o exercício num segundo post escrevendo só as descrições e mantendo os nomes de arquivo, e compare os dois resultados.

212 cliques vindos da busca de imagens. Foi o que a mesma página marcou no mês seguinte às descrições, contra 4 no mês anterior, lidos no Search Console com filtro de pesquisa por imagem em julho e agosto de 2026 (viverdeblog.com/como-instalar-o-wordpress/, 2019).

"Quantas imagens do seu post mais visitado o buscador consegue descrever hoje?"

 
 
Quiz da edição

Na segunda tentativa de conserto, o autor preencheu as 34 descrições de imagem com a mesma palavra-chave repetida. Para quantos cliques mensais o relatório de busca de imagens subiu antes de estacionar?

A212 cliques
B31 cliques
C9 cliques
D4 cliques

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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Até amanhã, com o próximo passo.

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